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Ayrton Senna do Brasil

GOIÂNIA – Meu nome é Luiza Maria. Tenho 16 anos. Nasci 3 anos 7 meses e 29 dias depois da morte de Ayrton Senna.

Não o vi correr. Não o vi morrer. Não o vi ganhar os 3 títulos. Não o vi duelar com Prost. Não vi nada. Só ouvi.

Mesmo que só tenham me narrado histórias. Ou que eu só tenha assistido vídeos no YouTube. Ou lido em lugares variados. Mesmo que não tenha acompanhado a carreira dele, se não fosse ele eu não teria essa paixão. Por automobilismo.

Meu pai costumava me contar tudo o que sabia de Senna. Desde a primeira corrida que ele assistiu, que o levou a gostar de F1 (Mônaco, 1984), até a última de Senna. Hoje eu já sei a maioria dessas histórias. Meu pai já até disse que “se brincar você sabe mais do Senna do que eu”. Duvido muito. Foi ele quem acompanhou, que viveu a trajetória de Ayrton. Ele que consegue contar todas as histórias transmitindo a emoção que só quem viu ao vivo poderia transmitir.

Às vezes fico pensando o quão azarada sou de não ter visto Ayrton correr, mas logo me conformo: não tenho estabilidade emocional para aguentar um 1° de Maio de 1994 sem sequelas.

Mas mesmo não tendo vivido a carreira de Ayrton ele é o meu maior ídolo. Não só por Mônaco, 84. Não só por Portugal, 85. Por Jerez, 86. Por Inglaterra, 88. Suzuka, 88. Pela vingança de Suzuka, 90. Suzuka, 91 Brazil, 91. Donington, 93. Gosto de Senna pelos motivos que fizeram estas estarem entre as melhores corridas das mais de 900 da F1.

Ayrton é o meu herói. Pelo tempo que se dedicava ao automobilismo. Pela análise de gráficos em festas e jantares enquanto todos se divertiam. Por se esforçar em aprender tudo o que podia para melhorar o carro. Por calcular o limite de cada curva. Por fazer, na chuva, em 3° ou 4° marcha, uma curva que todos os outros pilotos faziam em 1° ou 2°.

Ayrton é meu herói por aproveitar cada chuva para melhorar um de seus pontos fracos em corridas, a pista molhada. E quando não chovia, tudo bem, ele próprio molhava a pista. Assim um problema o transformou em “Rei”. O Rei da chuva, Ayrton Senna.

Ayrton é o meu herói. Pelo nacionalismo. Por erguer a bandeira ao vento em suas vitórias. Pelas declarações patrióticas. Por deixar eu, Leandro Hassum, e outros brasileiros orgulhosos de dizer: “Sabe o Ayrton? Então, eu sou do país do Ayrton!”.

Ayrton é meu herói por chegar à McLaren com a determinação de acabar com Prost, física e mentalmente, sem querer apenas “conquistar” seu lugar na equipe. Por chegar lá e deixar os mecânicos da Honda e Ron ‘Boss’ Dennis babando por ele. Por ter a certeza que queria ser o número 1, e menos que isso não bastava. Dizia que o 2° era o primeiro perdedor.

Ayrton Senna do Brasil é meu herói por ter conquistado até os que não eram espectadores da F1. Por tornar a chuva no domingo indício de espetáculo. Por depois dos 20 anos de sua morte, fazer o mundo se emocionar com seus feitos. Por mesmo com 4 títulos a menos que Schumi, 2 a menos que Fangio, e 1 a menos que Prost e Vettel, ser considerado o melhor da história do automobilismo.

Fiz alguns textos sobre ele, que não gosto. Não que sejam ruins. Mas acho que não estão a altura dele.

Obrigada Ayrton. Se não fosse você, talvez meu pai não teria conhecido a F1, não teria me mostrado esse mundo, e eu não teria o sonho de viver para isso. Obrigada por ser um dos maiores orgulhos dessa nação. Obrigada por ter sido tudo mais que eu não consegui expressar. Obrigada por ser Ayrton Senna do Brasil!

Que honra

                                                                     Goiânia, 28 de Novembro de 2013

Querido Sebastian,

uma das frases que mais ouço do meu pai quando conversamos sobre Fórmula 1 é “Ah, Luiza! Como eu sinto pena por você não ter visto o Senna correr!”, e apesar de frases como esta me chatearem, são as minhas preferidas.

Quando meu pai diz isso, depois de me contar 1001 histórias sobre Ayrton, ele realmente lamenta. Por eu nunca ter tido o privilégio de ver O Cara correr. Meu pai fala do Senna como se falasse de um ser mitológico, de outro planeta. Os olhos brilham, e ele fala de Senna com uma intimidade enorme, como se conhecesse cada detalhe da personalidade dele. Narra corridas espetaculares. E depois de tentar me explicar o quão magnífico era, sempre termina dizendo algo do tipo: “Você tinha que ter visto o Senna correr para entender”.

E por que eu estou te contando isso, você deve estar se perguntando. É seu tetra. O que tem o Senna?

Pois bem, desde sempre lamento ter nascido depois da morte do Senna. Lamento por não ter vivido a época do Senna.

E hoje, tenho que lhe dizer, me sinto honrada de estar te vendo correr. Quem sabe daqui 30 anos, eu conte aos meus filhos sobre você como quando meu pai me conta sobre o Senna? Já pensou nisso? Já parou para pensar que você está virando um mito?

Parece precipitado dizer isso? Que você é o próximo Senna? Para você, sempre muito humilde, sim. Mas acredite em mim, não é! Você é o cara da F-1 hoje, e está virando o cara da história F-1 . E piloto como você e Senna aparecem a cada 30 anos.

Todas as vezes que você acaba de fazer a pole e vai analisar tempos, ou acaba de ganhar a corrida, e na sala dos bonés fica atento a todas as informações do visor, eu vejo o quão dedicado você é. E ai, quando você não faz a pole, pede desculpas a equipe, por eles terem dado aquele carro maravilhoso e você não ter retribuído com o 1° tempo.

Ah, Sebastian! Foi essa dedicação, essa busca pela perfeição, que fez do Senna o mártir que ele é hoje. E é o que está fazendo de você esse piloto inalcançável.

Admiro muito como você é de bem com a vida. De como você brinca com todo mundo. De como você tem que fazer a volta mais rápida da corrida, deixando os engenheiros com o coração na boca. De como você fez aqueles zerinhos na Índia, em Abu Dhabi, nos EUA e aqui no Brasil. De como você é grato pela sua equipe. De como em toda vitória você grita de felicidade no rádio, e faz juras de amor para a galera da RBR.

Admiro a tua serenidade. De como, no 2° ou 3° lugar do pódio você ainda comemora alegremente; mesmo sendo o principal objetivo os 25 pontos, e menos que isso não é o suficiente, ainda sabe que não adianta ficar com cara de emburrado. De como você é equilibrado e administra bem as situações. De como você consegue fazer uma corridaça largando dos boxes, ou caindo para último ainda na primeira volta.

A cada vitória sua vemos uma expressão de objetivo cumprido, de gratificação, de ”isso-é-um-sonho”, de orgulho e apontando com o dedo indicador para a equipe, de ”isso-não-seria-nada-sem-vocês”. A equipe que grita extasiada lá embaixo.

E Helmut Marko, Christian Horner e Adrian Neway, que olham estupefatos o piloto que eles tem a honra de ter na equipe deles.

É Sebastian Vettel, você é isso tudo sim.

E olha só, eu estou vendo tudo isso, em tempo real! Ah, Sebastian, mas que honra, hein?!

Agradecida, por tudo,

Luiza Maria Saggin

O jogo é jogado e a corrida é disputada

GOIÂNIA – Faltam 6 corridas para o final da temporada. Se Alonseira ganhar todas as que faltam, Vettel só precisa dos 2° lugar que o título é dele. Ou melhor, se chegar em 2° em uma e em 3° nas outras 5, o título é dele. Ou ainda melhor, Vettel só precisa de 91 pontos e fim.

Depois das férias foram 3 corridas. O alemãozinho ganhou as três. Foi vaiado nas duas últimas. Pelos Tiffosis irritados por Vettel ganhar na casa da Ferrari. E pelos fãs de F1 que acham que Vettel está estragando a categoria. Sebastian é vaiado, criticado por ser o melhor. Coisa mais esquisita esse povo. Não dá para banalizar a F-1 só por que Vettel é o melhor. Ele é o melhor e está fazendo o papel dele!

Campeão

Campeão

Está um tanto chato sim. Só um vencedor. Poucos recordes faltando para serem batidos. Falta emoção. Falta briga. Previsível demais. O campeonato está sim quase ganho. Mas galerinha, o jogo é jogado e a corrida é disputada.

Não é por que Vettel já é quase tetra que a gente tem que parar de assistir as corridas, por que “nada mais vai acontecer”. Vocês ai, espectadores assíduos da F1, como eu, vão concordar quando eu disser e explicar que “A F1 é uma caixinha de surpresas”.

Em 2010, quem apostaria que aquele moleque da RBR iria ganhar o campeonato? Entre os postulantes era o que menos tinha chances. Mas olha só, levou o título.

Quem imaginaria que a Ferrari seria tão incompetente que deixaria o título de Massa escapar em 2008?

Quem imaginaria que um Piquet faria uma sujeira para ajudar um espanhol, que nem lutava pelo título, a ganhar uma corrida?

Em 2008, quem apostaria que um estreante da Toro Rosso teria sua primeira vitória em Monza com chuva?

E o título de 2007 de Kimi? O finlandês correu por fora igual Vettel em 2010.

Quem imaginaria que Senna bateria, voltaria para a corrida, ganharia, a corrida e o título, e depois seria desclassificado por Balestre em 1989?

Quem apostaria que uma Toleman faria uma corridaça em Mônaco com chuva em 84?

Quem apostaria que uma Lotus venceria Estoril 1985?

Quem apostaria que a Ferrari teria dois pilotos campeões ao mesmo tempo na sua garagem?

Quem apostaria na Brabham de Piquet?

E o campeonato do ano passado? Quem imaginaria um campeonato daquele?

Quem imaginaria a morte de Senna em 94?

Então pessoal, a Fórmula 1 é uma caixinha de surpresas! Vai que na próxima corrida Vettel tem problema no carro, abandona e o Alonso ganha. Ou o Button vai ao pódio. Ou o Massa faz alguma coisa que nos deixe orgulhosos.

“A gente pensa que vai ocorrer o inevitável e vem o inesperado”, disse um sociólogo famoso ai que já foi até presidente. Concordo, ainda mais na F1. Onde tudo pode acontecer. Até mesmo nada.

McLaren: 50 anos (2)

Minha preferida!!

GOIÂNIA – A equipe inglesa fez 50 agora, no começo de Setembro. Desde Bruce McLaren até Button e Pérez foram muitos pilotos, títulos e histórias.

Estão lançando episódios de Tooned que contam sobre os campeões da equipe. Vale a pena assistir.

Lançaram o chapéu estilo

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Em Monza usaram um painel lindo

O painel maravilho da McLaren, em homenagem aos 50 anos da equipe

O painel maravilho da McLaren, em homenagem aos 50 anos da equipe

E achei um GIF dos carros desde o começo, desde 1963

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Foram 6 títulos com 7 pilotos:

Campeonatos Pilotos Temporadas
3 França Alain Prost 198519861989
Brasil Ayrton Senna 198819901991
2 Finlândia Mika Häkkinen 19981999
1 Brasil Emerson Fittipaldi 1974
Inglaterra James Hunt 1976
Áustria Niki Lauda 1984
Inglaterra Lewis Hamilton 2008

Ganharam 12% das temporadas disputadas. Tomara que com o motor Honda a equipe volte aos tempos de glória, como foi de 84 a 91. A equipe inglesa é a minha preferida do grid. Não só pelo Senna, ou pelo Fittipaldi. Por um monte de coisas. Por toda a história. Pelo Bruce, pelo Ron Dennis, pela igualdade, pelos brasileiros, pelo Tooned… Gosto da McLaren, e torço para reerguerem.

Parabéns pelas 5 décadas, McLaren!!!

Monzemolo (1)

Monza + Montezemolo = Monzemolo

GOIÂNIA – Primeiro de tudo, o título dos posts para o GP da Itália será Monzemolo, Monza + Montezemolo. Por que?, vocês perguntam (ou não), por que Monza é o palco da Ferrari, onde a equipe já entra de salto alto italiano e faz de tudo para não cair dele; e Montezemolo é o presidente da Ferrari, então, Monzemolo para vocês!!

Agora, algumas imagens antigas de Monza:

Uns Tifosis

Uns Tifosis

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1963 Jim Clark Colin Chapman Lotus Monza

1963 Jim Clark Colin Chapman Lotus Monza

2006 Michael Schumacher Ferrari Monza Podium

2006 Michael Schumacher Ferrari Monza Podium

Senna 1990

Senna 1990

Senna 1993

Senna 1993

1981 Italian Grand Prix practice. Ligier Talbot Team.

1981 Italian Grand Prix practice. Ligier Talbot Team.

1982 Mario Andretti Ferrari Monza

1982 Mario Andretti Ferrari Monza

2008 Vettel

A primeira vitória do alemão prodígio foi na pista italiana. 

A primeira vez que Vettel usou o dedo campeão, em Monza, 2008.

A primeira vez que Vettel usou o dedo campeão, em Monza, 2008.

42 dias depois , Niki Lauda volta. Monza 1976

42 dias depois , Niki Lauda volta. Monza 1976

Mais Tifosis

Mais Tifosis

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Ayrton Senna Monza 1985 , Lotus 97T Renault

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Ayrton Senna Monza 1985 , Lotus 97T Renault

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”Michael is faster than you Rubens”

”Michael is faster than you Rubens”

Monza é mesmo cheia de histórias!

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