Fórmula Café

Arquivo para a categoria “Crônica”

Vai ser feliz, Felipe!

Felipe Massa anuncia aposentadoria. Alívio.

Entra na Stock, vai passar um dia inteiro andando de kart com o Felipinho, vai disputar uma dessas competições que a gente nem sabia que existia. Vai viver. Viver bem. A F1 é vaidade, ego e dinheiro, não felicidade. E agora, Felipe, você vai ser feliz!  Vai curtir o automobilismo na sua forma mais pura, com amor. Vai curtir sua família e ensinar seu filho o real motivo de fazer o que você faz. Não é pela grana, pelo glamour, é pela paixão pelo esporte.

Segue o caminho do seu compatriota, que teve uma carreira parecida com a sua, vai ser feliz, Felipe!

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Daniel is the new Mark. Max is the new Sebastian.

GOIÂNIA – Um dia, você é a certeza do piloto número 1 da equipe em busca do título. No outro, um moleque se torna a grande promessa da F1, e você vai aos poucos sendo rebaixado a plano B. Daniel Ricciardo está no início da terceira etapa desta história já vivida por Mark Webber, perdendo espaço para o novato.

A diferença de idade entre Vettel e Webber é de 11 anos. De Verstappen e Ricciardo, 8 anos. Sebastian tinha 23 anos quando venceu um campeonato em que o companheiro de equipe era favorito. Max com 18 anos venceu sua primeira corrida, em que após a batidas das Mercedes, viu Daniel ser favorito à vitória.

Nos dois casos, tiveram sorte. Mas sabemos, ninguém vence nada na F1 só por sorte. Verstappen viu duas posições ganhas graças ao acidente dos líderes e sua equipe pecar na estratégia do companheiro. Porém foi piloto, consistente e focado. Não tremeu com a pressão do veterano e habilidoso finlandês no seu encalço. Max mostrou um psicológico que Sebastian quando foi campeão ainda não tinha. Já Sebastian, era apenas o terceiro colocado no campeonato de 2010. Cumpriu a missão e venceu a corrida decisiva, mas teve sorte de ver os dois favoritos terminarem em sétimo e oitavo.

Webber, a partir de então se tornou o segundo piloto da RBR. De vez em quando vencia uma ou duas corridas. Mas nunca mais foi ameaça a soberania de Vettel dentro da equipe e nas pistas. Ricciardo tem tudo para ser o novo Mark Webber da RBR, já que Verstappen promete ser o novo Sebastian Vettel.

Mônaco e o amadorismo profissional

GOIÂNIA – Me desculpem por repetir tantas vezes isso, mas a F1 é uma caixinha de surpresas!

Mônaco tem dessas de ser bem chatinha ou ter uma reviravolta marcante para a história da F1.

“Hamilton ganhou”, pensei quando já na 1° volta abria vantagem para o segundo colocado.

Estava tudo indo conforme o script até o acidente de Verstappen e Grosjean.

Max Verstappen era o nome do fim de semana. Pela primeira vez em Mônaco, o holandês andou bem nos treinos e brilhou na corrida. Na 64° volta, ao tentar ultrapassar Romain Grosjean na Sainte Dévote, bateu na sua traseira e passou reto na curva. A FIA puniu com 5 posições no próximo grid de largada e dois pontos na carteira.

Inconsequente, imaturo, novo demais para a F1… Muito se disse sobre Max. Culparam sua pouca idade, como se vários outros experientes e arrojados pilotos não tivessem passado por situações parecidas. E olha que a culpa nem foi toda dele. O piloto mais jovem da história da F1 foi arrojado. Ultrapassar em Mônaco é difícil, na Sainte Dévote então! Arriscou. Porém o acidente não aconteceria se o piloto da frente não tivesse antecipado a freada.

Mas vai ser bom ver Max largando para o final do grid. Provavelmente fará uma escalada interessante em Montreal.

Deu SC. Hamilton, Rosberg e Vettel formavam o top-3. De repente o líder entra nos boxes e volta em 3°. Ninguém entendeu. A estratégia previa que Hamilton voltasse ainda em 1°. (A estratégia inicial previa que ele nem precisasse parar outra vez).

Ainda restava uma esperança. O piloto combinado ao carro e ao pneu mais macio e mais novo poderia ainda lutar pela vitória nas últimas 8 voltas.

Mas na relargada, Rosberg foi embora e sobrou para Vettel a árdua tarefa de segurar o líder do campeonato. E o alemão conseguiu. Tudo bem que o circuito urbano do principado ajudou, mas foi emocionante ver, no melhor estilo Senna x Mansell dos anos 90, o piloto com o melhor carro penando e não conseguindo ultrapassar o outro.

Foi emocionante e agoniante para os fãs dos dois pilotos, de deixar as mãos trêmulas e as pernas bambas. Terminou assim. Rosberg, Vettel e Hamilton. Dada a bandeirada, estávamos todos loucos para ver o quão grilado o inglês estava!

Hamilton fechou a cara, comprimentou Vettel e mandou um “Good job” para Rosberg, recebeu o troféu, ouviu o hino e não estourou champanhe. Mal perdedor? Um erro de calculo custou uma vitória e 10 pontos. Mas não foi pelo troféu maior ou pelo aumento da vantagem que Hamilton estava emburrado, foi por ter a vitória arracada por um erro bobo que nem foi sua culpa.

O Toto disse que foi o Lewis que reclamou dos pneus e eles só tentaram resolver. De 1001 reclamações do inglês no rádio, eles tentam solucionar justamente a que menos precisava de solução?

Rosberguinho inclusive, me parece, passará sua jornada na Mercedes à sombra do companheiro, mantendo sua consistência, esperando que algo dê errado e o eleve a vencedor.

Não que eu ache que a Mercedes, a FON, ou a FIA queiram controlar o campeonato para que a audiência da categoria não baixe, mas que foi estranho esse calculo de 3s5 de erro foi.

Para finalizar a corrida, vimos um lindo jogo de equipe rubro taurino. No rádio, pediram a Kvyat, 4°, para abrir passagem para o companheiro de equipe, Ricciardo que vinha com um ritmo melhor e poderia brigar pelo pódio. No finalzinho da corrida, ao ver que o australiano não conseguiria um 3° lugar, pediram-no que devolvesse a posição ao russo. E assim fez Ricciardo. Jogo de equipe que equipe deve ter! Parabéns, RBR.

Alonso continua sem pontuar na temporada. Button fez os primeiros pontos da atual edição da parceria McLaren-Honda. Maldonado, segue sem terminar uma corrida em Mônaco. E eu, juro, não falarei mal desse Grande Prêmio até ano que vem.

Malaysia tracklines

GOIÂNIA – Como sempre digo, a F1 é uma caixinha de surpresas.

A McLaren não terminou a corrida. Pelo menos se livrou do vexame de ser penúltima, chicane ambulante e tomar duas voltas de Vettel. Deve ter sido bem frustrante para Fernando Alonso ver o alemão vencer pela Ferrari. Mais frustrante ainda ver que em 4 meses, Vettel já conquistou um lugar na equipe e no coração dos Tifosis, que em 5 temporadas ele não havia conseguido.

As Saubers foram mal. Ericsson cometeu um erro bobo. Rodou sozinho e não voltou. Felipe Nasr mal apareceu. Se você acordou de madrugada só para ver o conterrâneo correr, e ficou chateadíssimo com o Nasr por que é obrigação dele vencer e se tornar o próximo Senna, volta a dormir, a F1 não é para você!

A creche Toro Rosso andou bem e terminou à frente das duas RBRs. Parece que voltou a ser que era antes de Vettel: equipe-mãe atrás da equipe-filha.

Max Verstappen se tornou o piloto mais jovem da história a pontuar na F1.  Até agora não cometeu erros que denunciassem sua imaturidade e falta de experiência. Até agora!

As Williams ficaram no lugar previsto. Massa teve problemas no pit e no final perdeu o 5° lugar para o companheiro de equipe. Mas conseguiu segurar por um tempo. Felipe é duro de ultrapassar e mesmo com uma vantagem nos pneus, Bottas penou para passar Massa!

Kimi surpreendeu pela motivação que não tinha temporada passada. Furou pneu no começo da prova e caiu para o final do grid. Fez uma ótima corrida de recuperação e fez seus primeiros 12 pontos no campeonato. Se não fosse o problema do princípio, possivelmente iria para o pódio.

As Mercedes, ao contrário do que disseram, não erraram na estratégia. Fizeram igual a todos, 3 paradas. Não iriam conseguir apenas duas como o vencedor da prova. Hamilton poderia ter abusado mais do carro que dirige e ter feito aquelas voltas de classificação para alcançar Vettel. Poderia também ter evitado a besteira que foi falar que venceria todo mundo se fosse em carros iguais. E Rosberg, a de falar que Ferrari poderia chegar mais nas Mercedes.

Sebastian Vettel venceu. Não foi só estratégia. Não foi só culpa do SC. Não foi só sorte. Até por que quem fez o mesmo número de paradas terminou lá atrás. Soube administrar os pneus e a vantagem para o 2°. E foi piloto! Aquele piloto tetracampeão.

A corrida valeu a pena pela emoção após Sebastian cruzar a linha de chegada.

“Numero uno is back. Top Class. Ferrari is back. Ferrari is back. Fantastico, grande Seb”, disse Maurizio Arrivabene

“Yes, si ragazzi. Grazie. Grazie. Grazie, dai. Forza Ferrari!”, respondeu Sebastian Vettel

Saiu do carro, abraçou os mecânicos do alambrado, balançou a bandeira ferrarista. Na sala de bonés, ainda incrédulo da vitória pelo seu sonho rubro, estava emocionado. Parecia que havia ganhado um título. Tudo bem, é uma vitória pela Ferrari. Para um alemão que idolatra um outro alemão, uma vitória pela scuderia é de uma enorme importância. E era só o 2° GP de Sebastian pela nova equipe. Encerrando o jejum dele de 20 GPs e da Ferrari de 34 GPs.

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Arrivabene também se emocionou e chorou com a sua primeira vitória. Foi junto da equipe para a beira do alambrado e berrou com seus conterrâneos o hino italiano. Sebastian não aguentou e regeu o hino. Depois ajudou a equipe a arrumar tudo para voltar para casa. E no final da noite, comemorou com os mecânicos.

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Foi bom ver a quebra do domínio da Mercedes. Tudo indica que o campeonato não será disputado entre a equipe alemã e a italiana. Porém, se os vencedores variarem de vez em quando já tá bom para essa temporada. O próximo podia ser o Kimi, ou uma Williams, né? Não custa nada sonhar.

Expectativas para a temporada: F1 2015

4° edição (Texto na íntegra no GPTotal)

GOIÂNIA – 2014 começou cheio de expectativas positivas. Com o novo regulamento de motores, a aposta geral era a de um campeonato disputado entre as construtoras. No entanto, o que se viu foi um dos maiores domínios da história. Uma temporada com grandes pilotos apagados. E hino alemão além da conta.

Na F1 como na vida, depois de ver expectativas muito altas serem frustradas espera-se menos. Em 2015, ao que tudo indica, a Mercedes continuará reinando.

A Williams vem mais forte, com dois pilotos competentes e com sede de anteontem por vitórias. Ferrari e McLaren, ainda que em fase de “desenvolvimento” dos seus grandes projetos, podem ameaçar a equipe alemã. Nunca se descarta Ferrari e McLaren.

O Chefe de equipe da Scuderia já expôs a meta para 2015: ganhar duas ou três corridas. A da McLaren deve ser parecida. As duas têm grandes projetos e uma grande equipe trabalhando neles. Ambas contam, também, com uma dupla de pilotos campeões mundiais e prontos para o desenvolvimento. Se nada acontecer de bom com relação à disputa pelo título, pelo menos teremos o espetáculo de uma guerra fria sobre quem chegará mais longe: Ferrari ou McLaren? Vettel ou Alonso?

Essa, aliás, talvez seja a grande questão da temporada. Nada está me deixando mais ansiosa do que a disputa entre o alemão e o espanhol. Minha aposta? O tetracampeão!

E a Red Bull? Irá manter o nível apresentado em 2014 ou irá começar a fase “ladeira abaixo”? Ricciardo tem a chance de se afirmar como o tal ‘pilotaço’ que disseram que ele era. Ou revelar-se mais um australiano da RedBull que não vingou.

Na Toro Rosso está a maior imprevisibilidade: o que esperar de uma equipe com dois pilotos novatos? Filho de um ex-piloto sem grandes resultados em suas 8 temporadas de F1, Max Verstappen, 17 anos, é uma das incógnitas do ano. Uma promessa mais com cara de curiosidade do que de expectativa. Se o holandês for mal, todo mundo irá dizer que “já sabia”. Se ele se der bem, será uma grande surpresa. No outro lado, Carlos Sainz Jr., 20, teve boa passagem na Fórmula Renault, mas é outra incógnita.

A Force India é sempre uma equipe para se ficar de olho. Tem potencial e tem piloto capaz de lutar com os principais do grid.

Quanto à Lotus nunca se sabe. A equipe pode finalmente quebrar, e seus pilotos podem quebrar outros.

Na Sauber estão as esperanças brasileiras. Muito se espera de Felipe Nasr. As chances de ele brilhar, porém, são poucas. Mas continuamos acreditando – e é só o que fazemos, desde 1994.

O resto fará o papel de resto: chicane ambulante. Isso houver resto, né? Vai que a Caterham e a tal da Manor não cheguem nem em Melbourne! A F1 é uma caixinha de surpresas, tudo pode acontecer. Inclusive nada. Bom, espero que o GP da Austrália chegue logo.

Continuo achando (como em 2012, 2013 e 2014) a F1 estranha sem Barrichello. Mas ele está em um bom lugar!

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