Fórmula Café

Arquivo para a categoria “2016”

Cheirinho de título

GOIÂNIA – Se o Hamilton tiver a sorte de ainda levar este campeonato, quebrarei a cara. Mas ser imparcial é muito sem graça. Bom é torcer.

Todo mundo já sabe da matemática necessária para que qualquer um dos dois seja campeão. Hamilton já começou a demonstrar o psicológico instável. Rosberg está com o regulamento debaixo do braço. Se for só para torcer, Rosberg. Se for para apostar, Rosberg.

Não, não sou Rosberguete, mas poxa, 5 anos sem campeões, só bi, tri e tetra. Pelo bem da F1, precisamos do título do Rosberg.

Foi na reta final da temporada de 2015 que Rosberg começou a estruturar o título de 2016. Quando emplacou vitórias seguidas e aproveitou quebras do companheiro para tomar vantagem. Hamilton conseguiu se recuperar após as duras críticas por não estar tão dedicado quanto o alemão. Entrou de férias líder. Foi curtir. Rosberg ficou na fábrica refazendo o caminho da vitória. Voltou das férias consistente, forte e equilibrado e tomou de volta a liderança para chegar em Abu Dhabi suave correndo pelo segundo lugar.

Não duvido da capacidade de Nico de vencer esse título. Ele vai fazer de tudo para não correr riscos. A incerteza vem do carro. Já para Lewis, além do carro, não podemos confiar tanto na sua performance. Se as declarações que demonstram pressão começaram, a chance dele acabar com a própria corrida são consideráveis.

Mas podiam mesmo entregar a taça para Rosberg mandando Mercedes para casa. Aí é só deixar a F1 pegar fogo com o restante do grid. Despedida de duas lendas, embate entre cavalos e touros, nanicos mostrando serviço e Abu Dhabi provando que é sim um circuito palco de grandes emoções.

Vai F1, fecha esse ano grandiosamente, deixando os fãs ansiosos para 2017. A gente merece.

Anúncios

Home is where my heart is, por Karolina Pedroni

Vila Velha, 8 de novembro de 2016 – São 14h28 e eu ainda estou tentando organizar meus pensamentos e memórias sobre o final de semana. Estou na cama ouvindo uma música que não é qualquer. É justamente uma que me faz ter a sensação de realizar sonhos e estar com as pessoas mais importantes da minha vida. É como se hoje, 8 de novembro de 2016, fosse domingo e eu acabei de falar com a minha melhor amiga por Skype. Mas a realidade é que eu acabei de falar com ela cara a cara. Eu estava com ela e isso foi real.

Se eu fosse resumir esse final de semana em uma palavra, procuraria no dicionario inteiro e não iria conseguir encontrar a definição. Um turbilhão de coisas aconteceram e eu nem sei por onde começar a contar. Havia um lugar. Um lugar que eu posso chamar de casa. Onde toda minha emoção foi depositada e exposta. Haviam pessoas, das quais eu nunca tivera a presença tão perto. Havia um coração, que pulsava aceleradamente por estar no lugar onde sempre desejou estar. Houve um momento mágico do qual eu nunca imaginei que poderia ter. Não por agora.

Fecho e abro os meus olhos dezenas de vezes a cada minuto para ter certeza de que estou acordada. Fico procurando vestígios de que eu estive lá. Meus olhos já estão cansados de ver as mesmas memórias fixadas que uma câmera fotográfica captou. Eu persisto em não querer acreditar que eu dei um grande passo na minha vida – na verdade eu fiz uma corrida até o futuro e voltei. Eu me vi – e vivi – meus dias de glória como profissional em jornalismo. Concretizei o que eu sempre soube. Trabalhei em uma redação onde sentou-se na minha frente, nada mais nada menos do que Reginaldo Leme. Compartilhei do mesmo ambiente que Litto Cavalcante e tirei um dedo de prova com Sérgio Mauricio. Com as pernas bambas eu recebi um suporte de encorajamento para enfrentar – mesmo sendo nova – todos os desafios que trassassem o meu caminho.

Havia no Autódromo Internacional Ayrton Senna uma quase profissional de jornalismo que carregava em seu peito a sua paixão de anos. Por fora meu corpo se protegia para não fazer qualquer tipo de movimento que pudesse me arruinar, que pudesse corromper meus desejos de merecimento por estar carregando uma credencial de imprensa pendurada no pescoço. Mas olhando diretamente para meus olhos, só uma pessoa de completa ignorância não perceberia que eu estava vivendo o meu conto de fadas, onde a minha alma levitava na mais pura harmonia cujo produzia o barulho dos motores.

Tentar explicar o que aconteceu comigo é muito mais complicado do que eu poderia imaginar. Gostaria de poder contar detalhe por detalhe para cada ser humano que cruzasse o meu caminho. Queria gritar para o mundo todo ouvir que eu estava com as pessoas que mais me deram inspiração na vida. Que eu estava em casa, mesmo estando longe. E que nada nesse final de semana podia me impedir de ser feliz. A não ser a despedida.

Foi duro ter que dizer adeus. Foi difícil de aceitar que eu acordei de um sonho. É assustador pensar que um encontro como esse só ira acontecer no próximo ano. Sufocante foi ter que virar as costas para aquele lugar onde até mesmo um adulto se sente como uma criança em uma festa de natal. Porém, foi dilacerante ter que soltar a mão da minha melhor amiga, ter que virar as costas e não dizer nada. Porque eu sabia, se eu falasse uma palavra de despedida que fosse eu criaria raízes em meus pés e dali nunca mais sairia. Ela sempre me diz que sou forte. E sou. Esperei por anos por esse final de semana e esperarei de novo por muito mais tempo se for preciso.

Estou em Vila Velha, minha casa, mas meu coração ainda está em Goiânia.

Goiânia (1)

GOIÂNIA – Se tivesse que escolher um lugar no mundo todo, escolheria o Autódromo de Goiânia. Lá eu passei pelos momentos mais especiais da minha curta vida de fã do automobilismo.

Fui em Interlagos uma vez, foi surreal, comecei a chorar antes de entrar no autódromo.

Mas em Goiânia, sinto o automobilismo muito próximo. E neste fim de semana, eu me senti parte dele.

Automobilismo, principalmente a F1, é um esporte muito distante do fã. Os ingressos são caros, os pilotos são pouco acessíveis, e só pratica quem tem uma condição ótima.

Quando a Stock confirmou Goiânia no calendário pela primeira vez, em 2014, eu vi a oportunidade de, primeiro ver Rubens Barrichello correr, e depois conhecer a categoria que mais me apetecia depois da Fórmula 1. E daí para frente todas as vezes que assistia a maior disputa do automobilismo brasileiro eu me apaixonava mais e mais pela Stock.

Em 2013 conheci Felipe Fraga. E desde 2014, seu ano de estreia, o vi amadurecer e chegar até aqui, favoritíssimo ao título da temporada de 2016. Vi Rubinho vencer uma corrida pela primeira vez na categoria e de quebra ganhar um milhão. Fiz contato e tive a oportunidade de ser colunista em uma revista. Em 2015, conheci pessoalmente uma amiga, até então apenas virtual, a Samara, que já dividiu comigo o deslumbramento no paddock por duas vezes. Vi dois sobrenomes de peso correrem juntos, Senna e Prost. Vi duas lendas da Stock correrem juntas novamente, Ingo Hoffman e Chico Serra. Colecionei bonés e autógrafos na minha camiseta da Stock.

Mas esse final de semana foi ainda mais especial. Nos anos anteriores eu sentia que aquilo era o que queria para mim, precisava fazer parte daquele mundo. E por um fim de semana, fiz. Andei pelo paddock, para lá e para cá. Entre um café e outro na sala de imprensa, pedi dicas para Reginaldo Leme, conheci Lito Cavalcanti e Sérgio Maurício. Conheci também um piloto da F3 mais novo que eu, trilhando uma carreira promissora no automobilismo. Comemorei pole dentro de boxe. Vivenciei decepção de uma equipe ao perder uma vitória praticamente certa. Tive a indescritível sensação de me sentar no cockpit de um Fórmula 3, vivendo a ilusão de me achar uma profissional das pistas. Atravessei o grid no sagrado momento de concentração dos pilotos. Passei horas e horas no autódromo achando sempre o tempo muito curto. Fiquei ansiosa, tensa, incrédula e acima de tudo realizada. Divide essas emoções com as pessoas muito importantes, meu pai, Karol Pedroni, Rayza Martins e Samara Helou. No domingo, fui para casa sem acreditar que acabara, e que teria de esperar o ano seguinte para quem sabe viver tudo aquilo outra uma vez.

O automobilismo brasileiro tem está cada vez mais profissional e competitivo. A cada contato que tenho com a Stock, admiro mais a organização e a competência da VICAR na gestão desse esporte.

É incrível poder ver e viver intensamente momentos que tanto sonhei. O automobilismo faz parte de mim e quero sempre fazer parte dele.

Vai ser feliz, Felipe!

Felipe Massa anuncia aposentadoria. Alívio.

Entra na Stock, vai passar um dia inteiro andando de kart com o Felipinho, vai disputar uma dessas competições que a gente nem sabia que existia. Vai viver. Viver bem. A F1 é vaidade, ego e dinheiro, não felicidade. E agora, Felipe, você vai ser feliz!  Vai curtir o automobilismo na sua forma mais pura, com amor. Vai curtir sua família e ensinar seu filho o real motivo de fazer o que você faz. Não é pela grana, pelo glamour, é pela paixão pelo esporte.

Segue o caminho do seu compatriota, que teve uma carreira parecida com a sua, vai ser feliz, Felipe!

Daniel is the new Mark. Max is the new Sebastian.

GOIÂNIA – Um dia, você é a certeza do piloto número 1 da equipe em busca do título. No outro, um moleque se torna a grande promessa da F1, e você vai aos poucos sendo rebaixado a plano B. Daniel Ricciardo está no início da terceira etapa desta história já vivida por Mark Webber, perdendo espaço para o novato.

A diferença de idade entre Vettel e Webber é de 11 anos. De Verstappen e Ricciardo, 8 anos. Sebastian tinha 23 anos quando venceu um campeonato em que o companheiro de equipe era favorito. Max com 18 anos venceu sua primeira corrida, em que após a batidas das Mercedes, viu Daniel ser favorito à vitória.

Nos dois casos, tiveram sorte. Mas sabemos, ninguém vence nada na F1 só por sorte. Verstappen viu duas posições ganhas graças ao acidente dos líderes e sua equipe pecar na estratégia do companheiro. Porém foi piloto, consistente e focado. Não tremeu com a pressão do veterano e habilidoso finlandês no seu encalço. Max mostrou um psicológico que Sebastian quando foi campeão ainda não tinha. Já Sebastian, era apenas o terceiro colocado no campeonato de 2010. Cumpriu a missão e venceu a corrida decisiva, mas teve sorte de ver os dois favoritos terminarem em sétimo e oitavo.

Webber, a partir de então se tornou o segundo piloto da RBR. De vez em quando vencia uma ou duas corridas. Mas nunca mais foi ameaça a soberania de Vettel dentro da equipe e nas pistas. Ricciardo tem tudo para ser o novo Mark Webber da RBR, já que Verstappen promete ser o novo Sebastian Vettel.

Navegação de Posts

%d blogueiros gostam disto: