Fórmula Café

Arquivo para a categoria “2014”

Querido Ron

Querido Ron Dennis,

após esse ano refletindo, de cabeça aberta, para tentar entender a contratação de Fernando Alonso pela sua equipe, cheguei finalmente a seguinte conclusão: a culpa não é sua. Você, inglês disciplinado, gestor, fiel ao seu Team, não teria cometido mais uma vez o erro de contratar um espanhol marrento, individualista e desapegado.

Apostar nos japas não foi um erro. Todos querem trabalhar com jovens inteligentes, focados e com poderio tecnológico. Mas apostar em um piloto com mais de 30 anos conhecidamente desarmonioso…

Que Alonso é um dos maiores pilotos da década passada, isso ninguém duvida. Que é guerreiro, trabalhador e arrojado, também não.

Mas para construir uma equipe vencedora e unida, você precisa de um piloto que se comprometa com o objetivo. E principalmente nesse momento de estima baixa e tensão, que se una à família McLaren-Honda para juntos trilhar o caminho para  sucesso.

Ao invés disso, El Fodón, vai à Suzuka, casa da Honda, ironizar a potência do motor. “GP2 Engine?”. Depois, sobe ao pódio em Interlagos com o companheiro de equipe para tirar uma onda com o fracasso do Team.

Tudo que uma Organização bem sucedida não precisa, é um funcionário que faz zoeiras públicas com a situação. A Honda precisa mesmo é de um Samurai. Que abrace a causa e diga “tamo junto”. Mas de Samurai, Alonso só tem a tatuagem.

Se a equipe já tivesse um carro impecável, feito aquele da década de 80, Alonso poderia ser uma boa opção. Só sentar e pilotar. Vencer e de vez em quando reclamar, como é de sua natureza. Quando perde, Alonso culpa a equipe. Mas quando ganha, o mérito é exclusivo dele.

Deve ser por isso que Fernando Alonso só deu certo com Flavio Briatore. Farinhas do mesmo saco.

Mas você, Boss, sabe disso melhor do que ninguém. Já está claro que a ideia não foi sua, e as declarações enaltecendo o espanhol, deve ser coisa de assessor de imprensa. Por que você, Ron Dennis, que já trabalhou com Niki Lauda, Ayrton Senna, Alain Prost e Mikka Hakkinen, não concordaria com um Fernando Alonso.

Com admiração,

Luiza Maria Saggin

 

Parabéns, Hamilton!

São domingos assim que mantêm viva a esperança de uma F1 melhor. Em tempos de carro sobressaindo-se ao talento do piloto, de um lugarzinho no grid custar 500 mil libras e de campeonatos definidos cedo demais, ver 55 voltas emocionantes de briga pelo título é para comemorar.

A maior ameaça ao bicampeonato de Hamilton era a pressão. Mas Lewis afirmou o que vinha mostrando durante esta temporada: amadurecimento. Parabéns, Hamilton! Título merecido. Rosberg, alemão, teoricamente piloto de sangue frio, foi fraco. Largou mal. Hamilton, temperamental, foi mito. Largou bem.

A gente sabe quem é piloto no momento da pressão, e a largada já deixou bem claro quem venceria a Temporada da F1 de 2014.

Hamilton pilotou. Não contra Rosberg, ou contra Massa. Hamilton simplesmente pilotou como um campeão. Foram 55 voltas de corrida e mais uma segurando a bandeira do Reino Unido ao vento (como costumava fazer seu herói). Rosberg teve problemas e chegou em 14°. Se por um acaso surgiu na cabeça de alguém a dúvida da justiça do título, já que o alemão teve problemas e o inglês não, o contrário (Hamilton sair prejudicado) aconteceu mais vezes no campeonato.

“Massa quase ganhou”, foi uma das frases que mais disse quando me perguntavam da corrida. O brasileiro pilotou com a vontade tupiniquim que não víamos há algum tempo. Após a segunda troca de Hamilton, Felipe era líder com 15s de vantagem. Porém o pneu já estava no fim e o inglês começou a tirar do líder. Massa entrou nos boxes quando Hamilton já havia tirado 2s. O brasileiro voltou 11s atrás do inglês. Com pneus novos, Felipe tinha grandes chances de vencer a corrida se tivesse entrado nos boxes duas ou três voltas antes. . O hino brasileiro foi adiado para a próxima temporada. Mas tudo bem, um 2° degrau no pódio após 2 temporadas já é para celebrar. E nós brasileiros ficamos ansiosos para ano que vem. Massa neles!

Bottas fez uma boa corrida após a péssima largada. Fechou em 3°. E assim, Toto Wolff (Diretor-executivo da Mercedes e acionista da Williams) subiu ao pódio junto aos seus 3 melhores pilotos.

Os pilotos da RBR, que largaram do pit-lane, foram bem. Não tão bem quando comparado ao que Vettel fez nesse mesmo GP em 2012. Ricciardo foi 4°, e Vettel, 8°. Pela primeira vez em 7 temporadas, Vettel termina o campeonato atrás do companheiro de equipe. A razão de o alemão tetracampeão ter perdido para o companheiro na corrida e na temporada? Estratégia? Apoio? Política? Talvez Bernie Ecclestone saiba responder. O que esse “fracasso” desencadeou? Sebastian assinou contrato com o sonho rubro de todo piloto.

Button, como de costume, pilotou bem. Será mesmo uma pena se o inglês sair da Fórmula 1. No mais, Force Indias em 6° e 7°, Ferraris em 9° e10°, Will Stevens, o inglês que pagou 2 milhões de reais (500 mil libras) para correr esta última etapa pela Caterham, em último e o resto como o script manda.

Foi uma temporada razoável dada a dominação das Mercedes. Para ano que vem esperamos disputa como foi até a última corrida. Mas se possível com um equilíbrio maior entre as equipes. Será que dá, Bernie?

Depressão (maior) pós-corrida

GOIÂNIA – Esta é a pior depressão pós-corrida que já tive. Acordei às 2h30 da manhã. Ainda não dormi.

A sensação é de corrida inacabada. E de medo também.

Chovia muito em Suzuka. A largada foi com Safety Car. Paralisaram. Quando a chuva cessou e a pista melhorou a corrida foi reiniciada.

Ótima. A corrida estava ótima. Estratégias variadas. Brigas entre as Mercedes. Vettel e Ricciardo andando muito. Button bem na corrida.

Eu até queria falar mais sobre a corrida em si nesta crônica, mas não consigo pensar em nada que seja mais expressivo que o acidente de Jules Bianchi.

Hoje, há 10 voltas do fim, a corrida fora paralisada pois o piloto francês da Marussia sofrera um grave acidente. Não sei muito bem explicar como aconteceu. Não há vídeos. Apenas algumas fotos após o acidente.

O estado de Bianchi é crítico. Pelas notícias soltas na internet, ele teve traumatismo craniano, passou por uma cirurgia bem sucedida e respirava sem aparelhos, mas ainda é grave. E agora há pouco, a imprensa italiana informou que houve hemorragia, haverá outra cirurgia e respira com a ajuda de aparelhos. São várias as notícias não-oficiais. Nós resta esperar as oficiais.

Nesse domingo passei um bom tempo pensando em Senna e Bianchi. Em 1° de maio de 1994, Senna bateu em Ímola. Teve traumatismo craniano. Morreu ali na pista. Mas só noticiaram depois. Horas depois. Por mais que a F1 ofereça um nível altíssimo de segurança hoje em dia, era inevitável pensar no pior do acidente desse domingo. “Bianchi está bem. Bianchi ficará bem”, é o meu mantra enquanto não saem notícias. Eu nasci após a última morte na F1. Não vi o Ayrton morrer. Espero que eu continue assim, sem ver nenhuma morte nessa categoria.

Fico assutada de pensar o quão injusto isso é. Um piloto está fazendo o que mais ama na vida. E morre, ou quase morre, tentando alcançar seus objetivos, sonhos. Não faz sentido para mim! Tomamos como maior exemplo Ayrton Senna. Não havia nada no mundo que ele era mais apaixonado do que correr. Do que vencer corridas. Do que ser o 1°. E morre. De repente. Na pista. Fazendo o que amava.

Dentre essa angústia veio uma notícia totalmente inesperada: Andrea De Cesaris, ex-piloto da F1, morreu hoje. Bateu forte de moto em um guard-rail. O acidente foi em uma estrada na Itália. De Cesaris morreu na hora, deixando dia 05 de outubro de 2014 ainda mais trágico.

Bianchi está bem. Bianchi ficará bem!

Mercedes não tão pura assim (2)

GOIÂNIA – Cingapura me surpreendeu. E muito. E o campeonato está me surpreendendo.

Rosberg largou dos boxes pois um fio ligado ao seu volante deu problema. Acabou por abandonar. Era a chance do Hamilton tirar os 22 pontos de vantagem e mais, ser o líder, rumo ao bicampeonato.

Aproveitou a oportunidade. Foi equilibrado. Não errou. Não deixou-se afetar pela pressão psicológica. Nem pelas pragas que Rosberg certamente o jogava assistindo a corrida no pit wall. Poupou pneus. Trocou nas horas certas. E chegou a tirar 3s por volta (ano passado, Vettel na RedBull conseguiu tirar no máximo 2s). Impecável. Vitória merecida.

Motor Racing - Formula One World Championship - Singapore Grand Prix - Race Day - Singapore, Singapore

Motor Racing - Formula One World Championship - Singapore Grand Prix - Race Day - Singapore, Singapore

Vettel fez sua melhor corrida no ano. Largando atrás do companheiro e com uma largada não tão boa, o alemão chegou em 2°, a melhor posição do tetracampeão na temporada. Parece até piada, mas todo mundo tem suas má fases.

Na reta final da corrida, Hamilton, com 24s de vantagem, parou para sua 3° e última troca. Voltou cerca de 1.4s atrás de Vettel. Para quem sonhava com a volta das glórias rubro-taurinas/alemãs, a ilusão foi desfeita em menos de uma volta. Lewis passou Sebastian facilmente (à lá Ayrton Senna).

Ricciardo foi muito bem. Alonso também. Massa também. O Vérgne, deve ter ido bem por que ficou em 6°, mas quase não lembro dele na corrida. O resto, foi o resto. Alguns abandonos. Algumas disputas por posição lá atrás. Uma inclusive entre Pérez, Maldonado e Grosjean. E, pasmem, ninguém se machucou, nenhum carro quebrou e os três completaram a corrida.

A F1 2014 possui um novo líder. Que tem 3 pontos de vantagem. Apenas 3. À 5 corridas no final, não tinha como o campeonato estar melhor, diante da supremacia da equipe alemã. Tudo bem que esse não é o melhor campeonato da história. Mas não é de todo ruim. Tudo bem que as Mercedes impuseram um domínio 1s mais rápido que a RBR ano passado. Mas ainda há briga pelo título. Tudo bem que existem duas F1, A e B, Mercedes e resto. Mas ainda há disputa. Entre Alonso e Vettel. Entre Ricciardo e Vettel. Entre Massa e Bottas. Entre os pilotos e o carro da Caterham e da Marussia, que tentam fazer um milagre para as carroças correrem. Volto a repetir, saibamos aproveitar o que é proporcionado!

Motor Racing - Formula One World Championship - Singapore Grand Prix - Race Day - Singapore, Singapore

Próxima parada, o magnífico, maravilhoso, histórico, palco dos últimos três títulos brasileiros, GP do Japão! Que venha ainda mais emoção para esse campeonato. Que venha mais disputa. Que venha surpresa. Que venha Suzuka!

Desinteresse virou ansiedade (1)

GOIÂNIA  – “A mente apavora o que ainda não é mesmo velho”. Essa frase do baiano Caetano Veloso pode resumir bem o que tenho pela F – E.

Geralmente novidades me apavoram e a F – E é a maior novidade e o futuro do automobilismo e carros de passeio. Com carros movidos por energia elétrica, a F – E é um indício de que a F – 1 uma hora terá fim. E nada me assusta mais do que isso. Os carros movidos à gasolina serão extintos em algum momento, e com eles, a atual categoria máxima.

Com isso, nem interesse em saber sobre essa fórmula nova eu tive. Mas à medida que o início da competição foi chegando, a categoria foi me chamando a atenção.

Primeiro, pela 2° geração Senna, Prost e Piquet correndo juntas. Segundo, pelo calendário que preencherá a falta da Fórmula 1 em dezembro, janeiro e fevereiro. Depois, por ser o mais sustentável desenvolvimento do automobilismo nos últimos tempo.

Agora, estou ansiosa para ver como será essa categoria. Tem treino à 1h e corrida às 4h30 da manhã.

 

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