Fórmula Café

Home is where my heart is, por Karolina Pedroni

Vila Velha, 8 de novembro de 2016 – São 14h28 e eu ainda estou tentando organizar meus pensamentos e memórias sobre o final de semana. Estou na cama ouvindo uma música que não é qualquer. É justamente uma que me faz ter a sensação de realizar sonhos e estar com as pessoas mais importantes da minha vida. É como se hoje, 8 de novembro de 2016, fosse domingo e eu acabei de falar com a minha melhor amiga por Skype. Mas a realidade é que eu acabei de falar com ela cara a cara. Eu estava com ela e isso foi real.

Se eu fosse resumir esse final de semana em uma palavra, procuraria no dicionario inteiro e não iria conseguir encontrar a definição. Um turbilhão de coisas aconteceram e eu nem sei por onde começar a contar. Havia um lugar. Um lugar que eu posso chamar de casa. Onde toda minha emoção foi depositada e exposta. Haviam pessoas, das quais eu nunca tivera a presença tão perto. Havia um coração, que pulsava aceleradamente por estar no lugar onde sempre desejou estar. Houve um momento mágico do qual eu nunca imaginei que poderia ter. Não por agora.

Fecho e abro os meus olhos dezenas de vezes a cada minuto para ter certeza de que estou acordada. Fico procurando vestígios de que eu estive lá. Meus olhos já estão cansados de ver as mesmas memórias fixadas que uma câmera fotográfica captou. Eu persisto em não querer acreditar que eu dei um grande passo na minha vida – na verdade eu fiz uma corrida até o futuro e voltei. Eu me vi – e vivi – meus dias de glória como profissional em jornalismo. Concretizei o que eu sempre soube. Trabalhei em uma redação onde sentou-se na minha frente, nada mais nada menos do que Reginaldo Leme. Compartilhei do mesmo ambiente que Litto Cavalcante e tirei um dedo de prova com Sérgio Mauricio. Com as pernas bambas eu recebi um suporte de encorajamento para enfrentar – mesmo sendo nova – todos os desafios que trassassem o meu caminho.

Havia no Autódromo Internacional Ayrton Senna uma quase profissional de jornalismo que carregava em seu peito a sua paixão de anos. Por fora meu corpo se protegia para não fazer qualquer tipo de movimento que pudesse me arruinar, que pudesse corromper meus desejos de merecimento por estar carregando uma credencial de imprensa pendurada no pescoço. Mas olhando diretamente para meus olhos, só uma pessoa de completa ignorância não perceberia que eu estava vivendo o meu conto de fadas, onde a minha alma levitava na mais pura harmonia cujo produzia o barulho dos motores.

Tentar explicar o que aconteceu comigo é muito mais complicado do que eu poderia imaginar. Gostaria de poder contar detalhe por detalhe para cada ser humano que cruzasse o meu caminho. Queria gritar para o mundo todo ouvir que eu estava com as pessoas que mais me deram inspiração na vida. Que eu estava em casa, mesmo estando longe. E que nada nesse final de semana podia me impedir de ser feliz. A não ser a despedida.

Foi duro ter que dizer adeus. Foi difícil de aceitar que eu acordei de um sonho. É assustador pensar que um encontro como esse só ira acontecer no próximo ano. Sufocante foi ter que virar as costas para aquele lugar onde até mesmo um adulto se sente como uma criança em uma festa de natal. Porém, foi dilacerante ter que soltar a mão da minha melhor amiga, ter que virar as costas e não dizer nada. Porque eu sabia, se eu falasse uma palavra de despedida que fosse eu criaria raízes em meus pés e dali nunca mais sairia. Ela sempre me diz que sou forte. E sou. Esperei por anos por esse final de semana e esperarei de novo por muito mais tempo se for preciso.

Estou em Vila Velha, minha casa, mas meu coração ainda está em Goiânia.

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